“Eu sou muito libertário, até por que nao dizer libertino”, proclama o guitarrista e mestre da música eletrônica francês Richard Pinhas. Ao seguir o preceito “Nem Deus, Nem Mestre!”, Pinhas procura explicar a sua brilhante trajetória à frente de Heldon, um dos projetos pioneiros a mesclar elementos acústicos e música eletrônica da França. Os amigos, entre os quais o tecladista do Magma, donos de ampla formação musical, estão de acordo: “Jamais duvide da influência que terá ‘Interface’ (o sexto álbum do Heldon) nas produções musicais futuras”, declarou sem hesitar na época em que foi lançado.
Richard Pinhas é guitarrista de formação e, em suas obras à frente do Heldon, sempre compôs a partir deste que foi o seu primeiro e preferido instrumento musical. “Eu toco desde os meus treze anos”, disse. O destino quis, contudo, que fosse em outro Universo que Richard Pinhas inovasse: ‘Chronolyse’ (1976) e ‘Rhizosphère’ (1977) sao dois álbuns solo do autor essencialmente eletrônicos e voltados para o futuro. No primeiro, a seqüência de variações sobre o tema dos Bene Gesserit (‘Variations Sur Le Thème Des Bene Gesserit’) expõe em plena década de setenta uma perspectiva muito à frente de seu tempo: futurista, sintética, baseada em delays, repetições com variações mínimas, sobreposição de canais com variação progressiva de volume e muita hipnose, foi visionária ao trazer vários dos princípios amplamente utilizados na música eletrônica dos anos oitenta para a frente, os mesmos que serviram de base para gêneros como o Techno de Detroit, Electro, Electronic Body Music, Industrial, House e o próprio Trance.
Entrevistado para o livro ‘Electronic Music & Breakbeats Standards’, Richard Pinhas falou de seus dias em estúdio com Heldon e de seus álbuns solo. Contou a respeito das suas amizades e das suas grandes influências como Jimmy Hendrix, Robert Fripp ou os filósofos Gilles Deleuze, Spinoza e Nietsche. “Eu sei que devo muito aos Blues, ao British Blues e a selos como Tamla Motown, estandarte do Soul e do Funk, sem os quais este movimento em cima da música eletrônica jamais teria sido o mesmo, ou seja, fundamentado no princípio da Ficção Científica que virou Música, erguido sob a idéia de inovação perpétua e de que o processo de busca do futuro sonoro é fundamental.”
Richard Pinhas live @ Highways