• About

Electronic Standards

  • Electronic Music, 1964

    March 6th, 2026

    Me lembro de ter achado esta coletânea, se não me falha a memória, na Sonzera, loja interessantíssima localizada na Gal. Nova Barão. Esta coletânea trouxe o que havia de mais interessante em matéria de música eletrônica e de vanguarda no ano de 1964. Curiosamente, aqui é uma das primeiras vezes em que aparece o nome da Wendy Carlos (ainda chamada “Walter Carlos”), com uma obra chamada “Variations for Flute and Electronic Sound”, com seis variações, cuja 3a era inteiramente eletrônica. Outra obra surpreendente é a de Andres Lewin-Richter, “Study No.1”, composiçao totalmente eletrônica que busca sonoridades instrumentais, com momentos de tensão e relaxamento, bem experimental.

  • Dopplereffekt: Cellular Automata

    March 4th, 2026

    Como surge o processo de criatividade sonora?
    Neste álbum de 2017 pela Leisure System, Dopplereffekt, composto pela dupla Gerald Donald e Michaela To-Nhan Bertel, traz uma estética sonora absurdamente futurista com meticulosa interação de elementos, camadas e sobreposições. Primor timbrístico, em uma obra prima do Sci-Fi interplanetário. Até hoje, há quem discuta o que acontece com o artista durante o processo de composição sonora. Falarei sobre isso em uma das próximas edições do Electronic Standards Psychoacoustics – Uma Viagem Ao Mundo da Psicoacústica…

  • O Ícone e a Base: Por que a forma como consumimos música pode contradizer nossos valores políticos

    February 26th, 2026


    Por Marco Andreol

    Andreas Gursky. May Day III (1998), 188 x 222 cm, Sprüth Gallerie, Colônia, Alemanha

    Uma reflexão sobre cultura, economia e as escolhas que fazemos no
    dia a dia

    Você já parou para pensar na relação entre a música que ouvimos e aquilo em
    que acreditamos politicamente? Pode parecer um salto grande, mas essa
    conexão existe e merece nossa atenção — especialmente num momento em
    que tantos debates importantes acontecem na sociedade.

    Vamos começar com uma cena familiar: você está em casa, talvez preparando
    o almoço ou cuidando do jardim, e coloca uma playlist para acompanhar o dia.
    Quem está tocando? Pode ser Beyoncé, Taylor Swift, Bad Bunny ou qualquer
    outro grande nome da música internacional. São artistas talentosos, que fazem
    sucesso merecido e nos emocionam. Nada de errado nisso.

    Mas e se eu dissesse que existe uma conversa mais profunda por trás desse
    hábito aparentemente simples?

    O que vemos e o que não vemos

    Quando o debate público sobre música chega até nós, especialmente nos
    círculos políticos e progressistas, ele geralmente gira em torno de perguntas
    como: “Esse artista é progressista?” ou “O que ele disse sobre o governo
    atual?”. Analisamos declarações, gestos simbólicos, posicionamentos públicos. E
    isso é importante, claro. Faz parte do nosso papel como cidadãos atentos.

    No entanto, essa forma de ver a música deixa de lado algo fundamental: a
    estrutura econômica que sustenta esses grandes nomes e, principalmente, o
    que acontece com tudo que está fora desse circuito principal.

    Imagine um grande iceberg. O que vemos na superfície são os artistas
    famosos, os shows gigantescos, as premiações. Mas debaixo d’água existe uma
    imensa estrutura que mantém tudo isso funcionando — e, paradoxalmente, que
    vai sufocando alternativas menores e locais.

    A economia por trás da música

    Nos últimos anos, o modelo da indústria musical mudou radicalmente.
    Antigamente, tínhamos gravadoras médias e pequenas, lojas de discos de
    bairro, rádios locais que tocavam artistas da região, festivais comunitários.
    Existia um ecossistema diverso que permitia que músicos — muitos deles
    vizinhos nossos — conseguissem viver de seu trabalho, mesmo sem alcançar
    fama nacional.

    Hoje, vivemos na era do streaming. Plataformas como Spotify, Apple Music e
    Amazon Music concentram quase todo o consumo musical. Elas pertencem a
    algumas poucas corporações gigantescas. Para você ter uma ideia, cerca de
    90% do mercado fonográfico mundial está nas mãos de apenas três grandes
    grupos.

    O que isso significa na prática? Significa que quando você paga sua assinatura
    mensal de streaming, a maior parte desse dinheiro vai para os cofres dessas
    corporações e para os artistas mais ouvidos globalmente. Os músicos da sua
    cidade, os grupos locais, os projetos independentes recebem migalhas —
    quando recebem algo.

    O exemplo do Super Bowl

    Talvez você tenha visto recentemente os debates sobre o show do intervalo do
    Super Bowl. Muita gente discutiu se determinado artista foi bem ou mal, se fez
    algum gesto político, se deveria ou não ter participado. São discussões válidas.

    Mas o Super Bowl é também a vitrine perfeita de um modelo de negócio. É um
    evento que custa milhões para ser produzido, patrocinado por gigantes
    corporativos, transmitido para o mundo inteiro. Ele representa a concentração
    de recursos nas mãos de poucos, a padronização do gosto musical, a
    transformação da arte em produto homogêneo e vendável globalmente.

    O problema não é o artista que aceita participar. Como costumamos dizer, ele
    está apenas jogando o jogo que existe. A questão é: nós, como público, temos
    consciência desse jogo?

    A contradição silenciosa

    Aqui chegamos ao ponto central. Muitos de nós nos consideramos
    progressistas, preocupados com justiça social, com os direitos dos
    trabalhadores, com a diversidade cultural. Defendemos políticas públicas que
    apoiem a cultura local, reclamamos quando um teatro de bairro fecha,
    lamentamos que os jovens não conheçam mais os ritmos tradicionais da nossa
    região.

    No entanto, no nosso consumo diário, alimentamos o sistema oposto.
    Colocamos nosso dinheiro — e nosso afeto — nos mesmos monopólios que
    estão asfixiando exatamente aquilo que dizemos valorizar.

    Cada real gasto num grande serviço de streaming é um real que deixa de
    circular nas pequenas gravadoras, nos selos locais, nos músicos da sua cidade,
    nos festivais de rua. É uma escolha silenciosa, que fazemos sem pensar, mas
    com consequências muito concretas.

    O afeto individual versus a política coletiva

    Talvez a parte mais difícil dessa reflexão seja reconhecer que nossas escolhas
    musicais são profundamente afetivas. Aquela música da Taylor Swift nos
    lembra de um momento especial. A voz da Beyoncé nos emociona de uma
    forma que nenhum artista local consegue. É legítimo, é humano, é bonito.

    O problema surge quando esse afeto individual nos cega para o impacto
    coletivo das nossas escolhas. Quando justificamos a concentração de recursos e
    a precarização dos músicos locais em nome da nossa conexão pessoal com os
    grandes ícones.

    Não se trata de culpar ninguém. Não é sobre fazer você se sentir mal por ouvir
    seus artistas favoritos. Trata-se de trazer à consciência algo que normalmente
    fica invisível: que o consumo cultural também é um ato político, mesmo quando
    não percebemos.

    O que podemos fazer?

    Reconhecer essa contradição é o primeiro passo. Depois, podemos começar a
    pensar em pequenas ações concretas:

    · Conhecer e valorizar os músicos da sua cidade ou região
    · Quando possível, comprar música diretamente dos artistas ou em selos
    independentes
    · Frequentar shows locais, feiras culturais, eventos comunitários
    · Estar atento à concentração econômica no setor cultural
    · Conversar sobre esses temas com amigos e familiares

    Não se trata de abandonar completamente o consumo dos grandes artistas —
    eles também são trabalhadores, também merecem nosso respeito. Mas
    podemos buscar um equilíbrio mais consciente, que não sacrifique a diversidade
    cultural em nome da conveniência.

    Conclusão

    A música sempre foi muito mais que entretenimento. Ela carrega histórias,
    identidades, formas de ver o mundo. Num momento em que tanto se discute
    política, justiça social e direitos, talvez valha a pena olhar com outros olhos
    para nossa playlist.

    Afinal, a forma como consumimos cultura diz muito sobre quem somos — não
    apenas como indivíduos, mas como sociedade. E se desejamos um mundo mais
    diverso, mais justo, mais rico culturalmente, precisamos começar a construí-lo
    também nas escolhas aparentemente simples do dia a dia.

    Que tal, da próxima vez que for colocar uma música, pensar não só no que
    você quer ouvir, mas também no que sua escolha pode significar para o músico
    da esquina, para a cultura da sua cidade, para a diversidade musical que tanto
    dizemos valorizar?

  • Good Old Music

    February 25th, 2026

    Enquanto aguardamos o desdobramento tenso do Oriente Medio e choramos a partida da Deusa Éliane Radigue do nosso plano, vamos dessa obra prima, que também fez parte da célebre col. Ultimate Breaks & Beats, que mudou a história da música. Bless the Funk!

  • Éliane Radigue (24/01/1932 – 24/02/2026)

    February 24th, 2026

    Todo o universo da música eletrônica está de luto. Perdemos uma das nossas grandes Deusas neste plano. Sua persona se transforma naquilo que ela sempre amou: ondas sonoras, cujas frequências reverberão para sempre.

  • Earth Volume Two

    February 24th, 2026


    LTJ Bukem foi um dos personagens mais importantes da música eletrônica underground dos anos 90 aos 2000. Com suas gravadoras (Good Looking Organisation, Looking Good, Cookin’) – inúmeras coletâneas (Progression Sessions, Points In Time, Earth, Cookin’, etc) e produções (Demon’s Theme, Atlantis, Music), foi literalmente um dos grandes catalisadores de tudo o que saía de interessante em matéria de Drum & Bass, Broken Beats/Future Jazz e Downtempo naquele momento.
    Esta obra saiu em uma de suas coletâneas, “Earth Volume Two” (1997).
    Oliver Lomax (Artemis) era um artista absurdamente talentoso.

  • Sleuth (Laurence Olivier, Michael Caine, 1972)

    February 24th, 2026

    Quando você tiver 2h livres, não deixe de assistir a este filme (ou teatro filmado) que é um monumento à arte. Dirigido pelo gigante
    Joseph L. Mankiewicz.

  • The Shamen – Re:Evolution – One Little Indian (1992)

    February 22nd, 2026

    Sim, eu sei que vocês dançaram ou / e ouviram muirto “Move Any Mountain”, “Phorever People” e “Ebeneezer Goode” do The Shamen, principalmente se vocês saíam para dançar nos dourados anos noventa. Mas e esse 12″, vocês já ouviram? Vinha com este imenso poster (que tinha o tamanho de 12 capas de disco). Uma maluquice psicodélica Ambient-House que estava bastante em voga naquele momento, em coletâneas de early Trance / early Prog, tempos em que tudo que saía era muito bom. E tinha também uma versão mais dançante, que poderia ser categorizada entre os early Prog de 92-93 (bem diferentes de hoje!), bem interessante:

  • Johnny Hammond – Gears – Milestone (1975)

    February 22nd, 2026
    Screenshot

    Estava mais uma vez mergulhando no universo dos Breakbeats (faço isso desde os anos 2000), e relembrei deste LP formidável do Johnny Hammond – Gears (1975), que tem duas obras essenciais – “Los Conquistadores Chocolates” e “Shifting Gears”. 1975 foi um ano sensacional para a música, não? Leroy Hutson, Bob James, Lonnie Liston Smith, Dynamic Corvettes… a soma de obras primas é gigantesca.
    Deixo vocês com as duas obras seminais deste álbum:

  • Electronic Standards: Após 20 anos, missão cumprida!

    February 22nd, 2026

    Após 20 anos de trabalho, pesquisas, recomeços, revisões, entrevistas e cursos, o livro Electronic Standards – O Fascinante Universo da Música Eletrônica finalmente foi lançado. São 650 páginas, e mais de 80 artistas entrevistados.
    Ainda há alguns exemplares remanescentes à venda!

    View this post on Instagram
←Previous Page
1 2 3 4 … 8
Next Page→

Proudly powered by WordPress

 

Loading Comments...