



Dirk Ivens, também conhecido como Dive e ex-membro do Klinik
Após dez anos, o Belga Dirk Ivens, autor do projeto Dive e ex-membro das lendárias bandas eletrônicas Absolute Body Control e The Klinik retorna ao Brasil. Na semana que vem, se apresenta em DJ set ao lado de DJ Borg no Audio Delicatessen na sexta e em live act no Hertz Fest no sábado. A sua apresentação no Hertz Fest terá como repertório suas produções como Dive e os maiores clássicos durante o período em que fez parte do Klinik.
A carreira de Dirk Ivens sempre foi permeada de um elemento essencial aos artistas que entraram para a história: a ‘assinatura pessoal’. Influenciado pelo período Punk e pós-Punk, iniciou em 1978 em uma banda chamada Slaughterhouse, mas o projeto durou pouco, e no ano seguinte, integrou a banda New Wave chamada The Few. Foi neste período em que conheceu (e passou a ser influenciado por) artistas pioneiros da música eletrônica, do experimental ao Industrial a exemplo de D. A. F. (Deutsch Amerikanische Freundschaft) e Suicide.
Para que Dirk Ivens se tornasse parte de um projeto de natureza fundamentalmente eletrônica e influenciada pelo Industrial era só questão de tempo: em 1980, montou o Absolute Body Control com Mark De Jonghe nos sintetizadores e Veerle De Schepper nos backing vocals, mas foi com Eric Van Wonterghem (que no futuro fundaria o Insekt) que conseguiu montar parceria duradoura.
Sua criatividade como vocalista e músico lhe deu muita projeção, e em 1985 formou com membros de três diferentes bandas o Absolute Controlled Clinical Maniacs, ocasião em que dividiram estúdio pela primeira vez com Marc Verhaeghen, seu futuro companheiro no The Klinik.
‘Klinik – Decay’, obra de atmosfera profunda lançada na coletânea ‘The State Of The Art’ em 1986
E foi justamente na referida banda Klinik que as obras de Dirk e seus companheiros belgas mostraram ser tão fascinantes. Muito embora os temas e as letras fossem obscuros, sombrios e de natureza agressiva, a atmosfera oscilava entre o dinamismo de ‘Moving Hands’ e ‘Go Back’, o futurismo sombrio de ‘Black Leather’, ou dimensões mais introspectivas, cerebrais e declaradamente subversivas de ‘Fever’ ou ‘Drowning In Your Sleep’.
É nesta estética que as obras do Klinik atingem um grau mais assustador. Talvez pela consciência de que, no fundo, estamos sozinhos, ou pelas dificuldades de encararmos os nossos problemas de nível pessoal. Talvez seja sinal dos tempos, simples desesperança, ou então a idéia de que não podemos fugir de determinadas questões, de desafios que perturbam.
‘Black Leather’, hino futurista do The Klinik (1990)
O fato é que tanto o Absolute Body Control quanto o The Klinik se tornaram referência não só dentro do Universo do Industrial e do EBM, mas para outras gerações de artistas posteriores, do Techno ao Electro, Synth Pop e a Space Disco.
Épico apocalíptico do The Klinik: ‘Memories’ (1987)
A partir de 1990, Dirk se desligou do Klinik e seguiu adiante com o Dive, desta vez não com o intuito de obedecer a perspectiva de uma banda, mas a sua própria: com o mínimo de equipamentos, buscou extrair o ‘máximo’ aliando atmosferas hipnóticas, industriais-apocalípticas, obscuras, cerebrais, introspectivas ou expansivas, minimalistas e ao mesmo tempo densas aos timbres desconcertantes de seus vocais.
Dirk Ivens em seu projeto Dive apresentando ‘Sick In Your Mind’ do The Klinik
Links:
http://www.dirkivens.com
http://www.myspace.com/divebelgium


Até que ponto ainda é possível ‘acreditar’ em uma carreira voltada para a Arte e quais são as soluções viáveis
Em tempos de escassez e de perspectiva sombria em relação ao andar da indústria fonográfica, ainda há os que pautam suas carreiras em arte e esperam de alguma forma poder ter um justo retorno por isso. Há os que sonham sob a mais absoluta incerteza e os que, apesar das incessantes dificuldades, conseguem.
Alden Tyrell, artista holandês autor de ‘What Your Eyes Can Do’ e ‘Disco Lunar Module‘
Considerando que, segundo dados do próprio Resident Advisor, os mais bem sucedidos lançamentos de single em vinil de música eletrônica conseguem atingir um limite de cerca de três mil cópias vendidas atualmente, a conclusão quase inevitável a que se chega é que cada vez menos pode se esperar qualquer espécie de retorno financeiro plausível para estes lançamentos, por maior que seja a sintonia com o público-alvo.
A criatividade continua, e com ela, a idéia de que uma boa projeção junto ao seu público e uma agenda repleta de datas de apresentações, sejam elas live-act ou DJ set cai como uma luva em tempos como esses. É exatamente desta forma que a esmagadora maioria dos cultuados artistas da música eletrônica underground têm se mantido, entre os quais heróis de gerações mais recentes ou mais antigas, de Derrick May a Ken Ishii, Fabrice Lig ou Arne Weinberg. Afinal, você acha mesmo que o Larry Heard ainda tem esperanças de vender as trinta mil cópias que vendeu de cara em seu primeiro bem-sucedido lançamento de 1986 como Fingers Inc., o ‘Mystery Of Love‘? “Forget It Jackie, It’s Chinatown”. Situações como esta e tantas outras, coma a do Ray Keith que pôde comprar uma B.M.W. nova com o resultado do seu remix para ‘Scottie‘ do Subnation em 1994 viraram (salvo raríssimas exceções) histórias do passado.
Ken Ishii, ícone do Extremo Oriente cuja amplitude musical nos deu de presente o fantástico ‘Mix-Up Vol. 3‘
Agora, o ideal é encarar a realidade de frente e aceitar o fato de que não há muito o que fazer a não ser se aproximar o máximo que puder do seu público-alvo, promover os downloads pagos, (sobretudo) buscar uma agenda cheia de apresentações através de um inteligente esforço de fortalecimento de imagem, uma boa assessoria de imprensa e um agente expansivo, e ainda por cima achar tempo para produzir maravilhosamente bem e lançar regularmente.
Fácil, não é? Pelo contrário: não raro, um vem em detrimento do outro. Explico: há casos conhecidos em que alguns consagrados artistas, célebres pelos seus excepcionais lançamentos passados, vivem até hoje do fruto destes, porém sua agenda é tão cheia que simplesmente não têm tempo ou insight para criar musicalmente algo novo. E também o caso do introspectivo e recluso talento que se recusa a botar as asas de fora, ou seja, é muito melhor no estúdio do que fora dele.
Fabrice Lig, artista Belga trazido pela Clunk que se apresentou no Spkz club no início deste ano
Apear disso, ainda bem que temos heróis que aprendem a administrar todas essas delicadas missões e conseguem lançar músicas incríveis, fortalecer a sua imagem, manter a sua identidade e de quebra se apresentar ao redor do Planeta. Artistas talentosos que não se curvam diante das dificuldades do dia a dia e estão constantemente em busca de soluções e ao mesmo tempo estimulando a sua mente criativa, ávida por arte, e não só mero entretenimento. Isso é um negócio muito sério. Se você é capaz de reconhecer alguns poucos nomes que se encaixam nestas características, prestigie o trabalho deles. Apoie, divulgue, vá ver suas apresentações, convide os teus amigos.
Os heróis da Música Eletrônica Ken Ishii (Japão) & Fabrice Lig (Belgica) apresentando a faixa “Organised green” durante live em Tóquio
Links:
MySpace Alden Tyrell: http://www.myspace.com/87469781
MySpace Fabrice Lig: http://www.myspace.com/fabricelig
MySpace Ken Ishii: http://www.myspace.com/70drums
Resident Advisor News: http://www.residentadvisor.net/
Enciclopédia Musical: Gilles Peterson
O britânico Gilles Peterson, homem forte da Talkin’ Loud, lançou em janeiro deste ano ‘Gilles Peterson In The House‘, coletânea de três CDs de arrepiar que unem em torno da qualidade músicas dançantes do passado atemporal ao presente.
O repertório, fortíssimo (como de costume), inclui ícones da House Music entre os quais Larry Heard (aquele por trás de Mr. Fingers e Fingers Inc., autor do superclássico “Can You Feel It“), Louie Vega (de Masters At Work) com o seu belíssimo projeto Elements Of Life, Josh Milan do Blaze como Alexander Hope, DJ Sneak, o Broken Beater Peter Kruder, heróis da Disco como Vincent Montana, Jr. com direito a mix do Louis Benedetti, Geraldine Hunt e o seu devastador “Can’t Fake The Feeling” (também lembrado por Jeff Mills em sua edição de ‘Choice – A Collection Of Classics‘), um dos grandes pioneiros da Disco Eletrônica – o francês Cerrone, além de estandartes do Soul-Funk do nível de Mass Production, Willie Hutch, The Main Ingredient (banda de Cuba Gooding, célebre vocalista do tão sampleado “Happiness Is Just Around The Bend“), Barry White e as suas artistas do Love Unlimited, entre outras jóias.
Gilles Peterson, arauto do ecletismo musical e fundador da Talking Loud
Abrangência musical é algo que para Gilles Peterson parece não haver limites. Sua passagem pelo Brasil em 2006 edificou através do TrocaBrahma Podcasts representantes da música nacional da Bossa à pós-Bossa como Milton Nascimento, Roberto Menescal, Joyce, João Donato e Marcos Valle. Cerca de quatro anos antes, o inglês já tinha se apresentado em São Paulo no espaço Urbano para um público ávido pelo seu bom gosto musical. Seus respeitadíssimos programas de rádio incluem a BBC Radio One ‘Worldwide’ (Inglaterra) e J Wave (Japão).
‘Gilles Peterson In The House‘ é do tipo do lançamento que não se deve nem hesitar em ter. Se por acaso você estiver em Londres, não deixe de conferir sua super-noite no Cargo. Go for it.
‘Geraldine Hunt – Can’t Fake The Feeling’: Parte Do Brilhante Repertório De Gilles Peterson
Links:
http://www.bbc.co.uk/radio1/gillespeterson/index.shtml
http://www.gillespetersonworldwide.com
http://www.trustthedj.com/gillespeterson
http://www.djgillespeterson.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Gilles_Peterson
http://www.myspace.com/gillespeterson
Ziriguidrum No Audio Delicatessen: Fila Se Prolongou Na Quadra
Qualquer Universidade ensinará em seu primeiro ano seja no curso de Marketing, Publicidade e Propaganda ou Administração os tão conhecidos quatro ‘pês’ do Marketing, a saber: Produto (ou serviço oferecido), Preço, Ponto de Venda e Promoção. Na Cena Eletrônica, não é diferente. O produto oferecido não é um produto, mas sim um serviço – o evento em si – fora isso, os outros pês são tão fundamentais quanto em qualquer outro segmento.
Há um deles, contudo, que adquire valor mais essencial ainda, porque ele significa o ‘tudo ou nada’, o sim ou o não, o oito ou oitenta do serviço oferecido em questão (no caso, o evento): a Promoção. Curiosamente, essa é considerada a área mais carente da nossa cena eletrônica, sobretudo a alternativa. Profissionais que sabem a importância do relacionamento, palavra-chave para quem quer emplacar festas memoráveis fazem hoje mais do que nunca a diferença. Sim, porque sem público presente, nenhuma festa tem sentido. Que DJ gostaria de tocar para as moscas? Qual o interesse em defender qualquer que seja a bandeira musical através de um evento se não há para quem mostrar o seu trabalho?
Um bom Promoter faz a diferença: sabe lidar com as pessoas, imprime uma ‘imagem positiva’ em todos os aspectos do seu evento, premia os DJs com pistas cheias e agrega outros valores (não necessariamente materiais) à festa e para o seu público-alvo, já que nem todas as pessoas saem só pela música (fator mais do que conhecido). Estes profissionais têm uma visão holística do que é fazer um evento acontecer: têm forte relacionamento com o seu público, e ao mesmo tempo se preocupam com a imagem da sua festa, com a programação musical, com a infra-estrutura de onde será sediado o mesmo, com tudo.
Entre os grandes exemplos, gostaríamos de citar equipes como a da Ziriguidrum que neste último sábado lotou o Audio Delicatessen e ofereceu qualidade musical dentro do Universo do Drum n’ Bass, despontando como uma das forças do segmento. A festa teve casa cheia durante toda a noite e trouxe do Atmospheric Drum n’ Bass às fusões com Reggae e Dub, alem de variantes mais pesadas. O FFWD (Fast Forward), outro brilhante exemplo que já trouxe ao Brasil nomes como Adam F, Mark Archer do Altern 8 e Shy FX retorna em 2008 com força total através de uma proposta eclética que inclui duas pistas, uma de Drum n’ Bass e outra de Techno e variantes. Da mesma forma, surgiram a partir de 2006 os grupos Killa Records e Sabotagem através de noites dedicadas a outro gêneros, do Breakcore ao Dubstep e o Nu Jungle, do Old School Techno ao EBM e os Breakbeats. Os bons exemplos são inúmeros. A equipe do Clash soube com o passar dos meses estruturar um leque de opções interessantíssimo que vai de noites de Rock à Música Eletrônica e Hip Hop, botando à frente de cada gênero nomes muito fortes. No Clube Spkz, a noite Fuse desponta como sensação dedicada à música underground através de nomes como Fabrice Lig (Belgica) e DJs nacionais como a Kammy, e a ‘Go Deep’ representa o melhor da House Music através do DJ residente Rafael Moraes. Exemplos bons não faltam, em diversos clubes, núcleos e gêneros musicais. Escolha os seus preferidos, prestigie a noite e o promoter em quem você acredita.
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Recorde de quantidade de Drum Breaks sampleados: Paradox
Ele é sem dúvida um dos mais ousados produtores no Universo dos Breakbeats dos últimos doze anos. Mixrace, Dev Pandya ou simplesmente Paradox deixou a sua marca na história ao fugir da estética ‘Amen Breaks’ e buscar um rico Universo de batidas quebradas originais dos anos sessenta e setenta para produzir a suas sofisticadas obras. Entre os artistas que sampleou, estão pérolas muitas vezes esquecidas pelas gerações mais novas a exemplo de Ike Turner’s Kings Of Rhythm, Carleen & The Groovers, Dave Cortez & The Moon People, entre outros obscuros lançados em sete polegadas – nomes que, se você não é faixa-preta em Hip Hop, Funk ou Soul, provavelmente jamais teve conhecimento.
Paradox é herói. Nunca se impôs limites, montouparcerias incríveis com Seba, outro gigante da música eletrônica, além do projeto Method Of Defiance onde produziu com Herbie Hancock, Toshinori Kondo , Buckethead e Bernie Worrell; lançou pelos atemporais Moving Shadow e Reinforced Records, conquistou o respeito dos mais talentosos artistas de Drum n’ Bass e Breakbeats, e o mais importante: não parou no tempo ou se deixou aprisionar por fórmulas-clichê. O homem é uma verdadeira enciclopédia de bases rítmicas que em 2008 veio com tudo ao lançar o single ‘Warmth / B’s Theme‘ com direito a prensagem em vinil pela Paradox Music (UK) .
O grau de exigência do autor é tamanho que recomendamos uma minuciosa pesquisa em sua discografia, seja qual for a alcunha – Alaska & Paradox, Alaska, Brown, Dev Mixrace, Dev Pandya, Paradox, com ou sem o Seba.
Paradox é ao mesmo tempo passado e futuro, emaranhados numa incrível contradição, construída sobre bases de Breaks que remetem ao passado e uma estética que aponta para o futuro. Se você quiser ter uma dimensão diferenciada de Breakbeats e Drum n’ Bass, confira a perspectiva ‘paradoxal da coisa‘.
Paradox Website: http://www.paradoxmusic.com/
Paradox MySpace: http://www.myspace.com/devparadox
Ele não está para brincadeira: Arne Weinberg
Há muito mais em matéria de música eletrônica em domínios teutônicos do que pressupõe as filosofias de ‘Gigolos’ e ‘B-Pitch Controls’. A cena alemã não parou no tempo, nem se resume ao hype que tem decorado as capas de revista nos últimos anos. Da mesma forma que um dia floresceu a música de artistas como Moritz Von Oswald, Mark Ernestus e cia. ltda, existem hoje em dia núcleos respeitáveis que passam longe dos holofotes do glamour e da obviedade (com todo o respeito).
Criado na região Sul da Alemanha, Arne Weinberg se beneficiou da eclética bagagem musical de sua mãe e desde cedo mostrou sede de conhecimento, do Hip Hop ao Death Metal. Foi aos 21 anos que teve o seu primeiro contato com o Techno e a cultura de Disc Jockey.
Conquistou uma residência em um clube em Tuebingen chamado Depot durante cinco anos na seqüência, teve a oportunidade de conhecer artistas como Fabrice Lig e Pacou, mas até aí, essa é uma história que se repetiu incontáveis vezes e não parece em princípio ser suficiente para explicar o emergir de um grande talento como o dele.
Contudo, a sua paixão prematura pelo lado atmosférico, profundo e emotivo do Techno derivado diretamente de sua raiz principal, Detroit, surge como uma explicação plausível para o seu desenvolvimento enquanto artista. Será que o ‘desenvolvimento’ existe efetivamente? Fica aberta a questão; de qualquer forma, Arne Weinberg fez uso do seu conhecimento musical e se aventurou na produção, primeiramente com o uso exclusivo de softwares. Sentiu que para ele seria insuficiente, e percebeu que equipamentos eletrônicos seriam necessários. Foi atrás, e de posse deles, lançou em 2001 pelo selo Propaganda, de Frankfurt, seu primeiro single, ‘Through The Colonnades‘, que já de cara conquistou o direito de fazer parte dos charts de importantes DJs como Laurent Garnier.
O seu direcionamento a uma perspectiva cada vez mais deep, explorando atmosferas e melodias, lhe rendeu lançamentos em conceituados selos como Down Low Music, Technoir Audio (por onde lança Shawn Rudiman), Headspace Recordings (UK) e Starbaby.
O caminho natural foi lançar em 2004 o seu próprio selo, AW-Recordings, dedicado a uma proposta musical denominada ‘Soul Electronic Music’, bem conhecida dos Detroit Heads, algo como ‘Música Eletrônica de Alma’. Isso significa uma perspectiva de mente aberta, não aplicável a um único gênero, mas a vários. O seu álbum de 2007 pelo referido selo, ‘Path Of The Gods‘, é uma das jóias do ano passado.
Se eu fosse você, ficaria atento não aos seus lançamentos, mas aos do seu selo que incluem produções de um jovem francês chamado Erell Ranson de quem falaremos em breve por aqui……………..
Links:
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Na primeira edição do confronto ‘Germany x U.K.’ entre as duas super potências eletrônicas do velho continente que aconteceu dia 09 de fevereiro no Trackers Tower, prevaleceu o Leão Britânico.
A Águia Alemã fez bonito, muito embora estivesse desde o início cercada pelo ampla presença dos fãs de Drum n’ Bass e Jungle, vertentes de origem Inglesa. Com menos espaço que o esperado, a escola de Kraftwerk, Talla 2XLC, Conny Plank, Liaisons Dangereuses, Klangwerk e Konzept pouco pode fazer diante de toda a tradição Britânica, evidente na apresentação de quase todos os DJs que tocaram do Hardcore Techno ao Jungle, Drum n’ Bass, Nu Jungle, Raggacore e Breakcore, vertentes iniciadas ou derivadas da cena inglesa. É bem verdade que algumas produções tocadas vieram da Alemanha, mas no geral, a Inglaterra dominou amplamente para delírio dos fãs.
A Alemanha de Konzept bem que tentou, mas…………….
Quem ganhou no fundo, contudo, foi o público. Ensandecido, nao se conteve e estravazou, parecia até que o Mundo ia acabar. O melhor de tudo é que isso aconteceu em vários momentos: durante a dupla Killa Byte tocando Hardcore e Jungle, assim como nos sets de DJs de Drum n’ Bass como Thiago U.N. (Ziriguidrum), Deco (Positive Bass), Ferville, Carlinhos Groove, Ander F., entre outros grandes profissionais dos decks.
… Não teve jeito: tomou cacetada da Inglaterra, que veio com tudo
Outro momento especial do evento ficou por conta do duo Sabotagem – Avontz e DJoe, que tocaram as vertentes mais recentes, caóticas e pesadas como Nu Jungle, Raggacore e Breakcore. Souberam a exemplo de DJs como Davi Killa e Byte (FMAM Crescendo) desfilar um repertório coerente e viril, botando a pista abaixo.
Parecia que a noite não ia acabar mais. Perto das cinco da manhã, Renato Z. e Davi Killa assumiram os toca-discos e mandaram um repertório que foi do Industrial ao E.B.M. e New Beat, dando mais uma chance à Alemanha através de produções de selos como Techno Drome International e New Zone, mas não tinha jeito – a noite já estava ganha pela Inglaterra – e pelos frequentadores do evento, que testemunharam uma Trackers Tower lotada.
… Se bem que os vencedores ingleses contaram com ajuda substancial dos Estados-Unidos, que cedeu a esmagadora maioria dos SAMPLES utilizados e desequilibrou o confronto
Méritos são devidos aos organizadores como Killa Records e Trackers Tower, que se juntaram com o apoio da FMAM Crescendo para realizar o evento. A expectativa para o próximo encontro na Trackers é a melhor possível, já que dia 23 de fevereiro acontece a nova edição da Sabotagem, liderada por DJoe e Avontz que terá como atrações o live de Breakbeats e I.D.M. MindReflex (FMAM Crescendo).
O próximo duelo ainda deverá ser marcado. A Alemanha prometeu retornar com força. A Inglaterra venceu com folga, mas deve tomar cuidado.
Infos:
www.myspace.com/killarecordsbrasil
“Eu sou muito libertário, até por que nao dizer libertino”, proclama o guitarrista e mestre da música eletrônica francês Richard Pinhas. Ao seguir o preceito “Nem Deus, Nem Mestre!”, Pinhas procura explicar a sua brilhante trajetória à frente de Heldon, um dos projetos pioneiros a mesclar elementos acústicos e música eletrônica da França. Os amigos, entre os quais o tecladista do Magma, donos de ampla formação musical, estão de acordo: “Jamais duvide da influência que terá ‘Interface’ (o sexto álbum do Heldon) nas produções musicais futuras”, declarou sem hesitar na época em que foi lançado.
Richard Pinhas é guitarrista de formação e, em suas obras à frente do Heldon, sempre compôs a partir deste que foi o seu primeiro e preferido instrumento musical. “Eu toco desde os meus treze anos”, disse. O destino quis, contudo, que fosse em outro Universo que Richard Pinhas inovasse: ‘Chronolyse’ (1976) e ‘Rhizosphère’ (1977) sao dois álbuns solo do autor essencialmente eletrônicos e voltados para o futuro. No primeiro, a seqüência de variações sobre o tema dos Bene Gesserit (‘Variations Sur Le Thème Des Bene Gesserit’) expõe em plena década de setenta uma perspectiva muito à frente de seu tempo: futurista, sintética, baseada em delays, repetições com variações mínimas, sobreposição de canais com variação progressiva de volume e muita hipnose, foi visionária ao trazer vários dos princípios amplamente utilizados na música eletrônica dos anos oitenta para a frente, os mesmos que serviram de base para gêneros como o Techno de Detroit, Electro, Electronic Body Music, Industrial, House e o próprio Trance.
Entrevistado para o livro ‘Electronic Music & Breakbeats Standards’, Richard Pinhas falou de seus dias em estúdio com Heldon e de seus álbuns solo. Contou a respeito das suas amizades e das suas grandes influências como Jimmy Hendrix, Robert Fripp ou os filósofos Gilles Deleuze, Spinoza e Nietsche. “Eu sei que devo muito aos Blues, ao British Blues e a selos como Tamla Motown, estandarte do Soul e do Funk, sem os quais este movimento em cima da música eletrônica jamais teria sido o mesmo, ou seja, fundamentado no princípio da Ficção Científica que virou Música, erguido sob a idéia de inovação perpétua e de que o processo de busca do futuro sonoro é fundamental.”
Richard Pinhas live @ Highways
Um dos podcasts mais interessantes da atualidade é o número 88 do Resident Advisor que traz o confronto entre Claro Intelecto e Andy Stott, duas grandes figuras do Techno da atualidade. O repertório é interessantíssimo e, de quebra, encontramos um website com links para baixar o podcast. Como o objetivo principal deste espaço é a disseminação de cultura musical, aproveitamos para falar um pouquinho mais a respeito do inglês Claro Intelecto. Em breve, discorreremos sobre Andy Stott.
Brilhante Low Profile: Claro Intelecto
Há algo demasiadamente desconcertante na obra de Claro Intelecto. Sua estética remete às profundezas, introspecção, ora minimal, ora densa, exalando originalidade. Cidadão de Manchester, Inglaterra, gênio da cena eletrônica internacional, Mark Stewart A.K.A. Claro Intelecto não parece ser muito dado a holofotes. Pelo contrário, sua música combina muito bem com cultura underground.
Os seus primeiros releases pelo Ai Records, selo inglês de música eletrônica alternativa muito acima da média, já demonstravam um talento incomum do autor. Foi por ali que Mark Stewart lançou o seu LP ‘Neurofibro‘, nome dado devido à doença genética da qual foi vítima. Com o passar dos anos, sua criatividade se revigorou e o resultado é a aclamada crítica dos recentes lançamentos como ‘Warehouse Vol. 4’ (2007) pela Boomkat que se rasgou em elogios ao doze polegadas que tem ‘Instinct’ e ‘Post’. ‘Instinct’ reverbera genialidade e abstração calcada em timbres originais e em elementos de Minimal Dub Techno, ‘Post’ aborda uma visão minimal-hipnótica igualmente baseada em elementos de deep e dub, porem com belíssimos pads de acordes no drop; a manipulação do baixo na faixa em questão é símbolo da perspectiva sofisticada do produtor, que não poupa esforços para demonstrar o seu avançado grau de qualidade musical. Em 2007 teve uma terceira surpresa de sua autoria: o doze polegadas single sided ‘Dependent’, cujo lançamento em vinil foi limitado a trezentas cópias que se revelou outra obra-prima da introspecção minimal-atmosférica.
Claro Intelecto já trafegou por atmosferas muito distintas, do Electro obscuro de ‘Episode’ e ‘Delete’ à atmosfera introspectiva de ‘Nobody’, passando por abstrações, ambientes atmosféricos e pelo minimalismo tecnóide de diversas naturezas.

Respeitável: Ai Records
Fiquem atentos. Quando você menos esperar, Claro Intelecto se apresentará em algum lugar no Brasil…………………….